terça-feira, novembro 04, 2014

Hegemonia


Este texto do Reinaldo Azevedo precisa ser lido e disponibilizado na Integra como também deve ser lida na íntegra a resolução recente do PT (3/11) cujo link está disponibilizado no texto. Melhor ainda, quem quiser realmente entender o que se passa deve ler Gramsci. Existe versão gratuita, em português, na Amazon

O texto da resolução do PT não é absolutamente transparente, as mensagens são subliminares, evidentemente engana muita gente, mas é suficientemente claro para qualquer um que tenha um mínimo de instrução e não esteja perto do analfabetismo funcional. Embora a liderança saiba bem o que busca, acredito que grande parte da militância do PT sequer entende o que etá escrito.

A situação é grave, continuo achando que a solução não é contestação das urnas, recontagem ou auditoria, mas a mobilização dos mais de 51 milhões que não votaram diretamente na Dilma, somados aos mais os cerca de 6 milhões que votaram nulo e branco. Estou desconsiderando as abstenções, pois entre elas não podemos exatamente contabilizar oposição. Como disse o Reinaldo, o PT considera estes 57 milhões como fascistas, homofóbicos e racistas e não os trata como adversários. mas como inimigos a serem eliminados.

Leia o artigo de:
Artigo Reinaldo Azevedo

sexta-feira, outubro 24, 2014

Despreparo Democrático

Esperava-se que as eleições de 2014 seriam uma estreia eficaz das mídias sociais no processo eleitoral, mas o que se viu foi o mal uso dessas ferramentas servindo a paixões descontroladas, ataques "ad-hominem" concorrendo para a aniquilação do debate de ideias e propostas.

Costuma-se dizer que a democracia brasileira é jovem, por exemplo, em relação à americana, que já elegia presidentes enquanto éramos uma colônia. Eu acho este argumento um pouco ingênuo ou equivocado. O que se verifica é que o brasileiro ainda torce por candidatos como se torcesse por um time de futebol, olham apenas para os nomes das pessoas que se candidatam e esquecem-se dos programas de partido que na verdade inexistem. Meses depois, sequer se lembram em quem colocaram seu voto.

Há quem defenda a intervenção da Justiça Eleitoral para coibir os excessos. Isto nunca vai resolver o problema, o que precisamos é educar a população, constantemente, mostrando que eleições não podem ser comparadas a embates futebolísticos e que não existem camisas e sim ideias e o futuro do pais em jogo. E o que deve ser discutido são exatamente as ideias não as pessoas, evidentemente, ressalvando a necessidade das fichas-limpas.

Contribui muito para isso o péssimo sistema educacional, que para piorar as coisas retirou há tempos do currículo disciplinas importantes, simplesmente, porque a associavam aos governos militares; moral, ética, cidadania e política.

Hoje alega-se que a grade curricular está muito carregada e que não suporta a inclusão de mais uma disciplina como já proposto no Congresso. Pode até ser, mas porque não revemos esta grade tornando-a compatível com a idade dos alunos excluindo por exemplo o ensino de História nos níveis mais elementares. História não é uma matéria para ser ensinada a crianças de 7 aos 9 anos, quando sequer possuem as qualidades cognitivas para entender as análises necessárias ao ensino adequado da matéria. Ensinar História baseando-se apenas em datas e nomes é um erro e com o tempo vai apenas contribuir para afastar o aluno do tema.

Temos mais 4 anos para ver se a redes sociais entram no debate político, com toda a sua relevância e sem suas mazelas, porque desta vez falharam.

quarta-feira, outubro 22, 2014

O Valor de Uma Boa Obra de Ficção


Aqueles que como eu estão sempre lendo ensaios e estudos, sejam eles científicos ou de ciências humanas como Direito, História Sociologia etc., precisam às vezes parar e dar tempo para uma boa obra de ficção.

Aquele tipo, que às vezes nos faz, graças à pesquisa apurada do autor, chegar até a pensar que os fatos tem coincidência histórica.

Na maioria ou na totalidade das vezes não tem, apenas o autor é hábil o suficiente para misturar seus personagens no meio de acontecimentos e personagens históricos de um maneira que parece tão verossímil, que nos vemos, subitamente, a procurar no Google dados sobre personagens, até sempre confirmarmos, inexoravelmente, que são fictícios.

Somerset Maugham, por exemplo, costuma escrever na primeira pessoa do singular, um estilo que dá a impressão de que que o autor está inserido na história conversando e entrevistando personagens. Segundo ele, isto dá mais verossimilidade à narrativa, de tal forma que Maugham em seus prefácios costumava alertar o autor de que ele não estava na narrativa e de que não se iludissem sobre os fatos terem acontecido a ele próprio.

Portanto, amigos, deem pausa a seus estudos com uma boa ficção de tempos em tempos. Um bom autor ensina muito sobre a natureza humana e nos faz crescer como seres humanos.

Publicado inicialmente em: Conversando Sobre História.

terça-feira, outubro 21, 2014

Gosma cinza" ('grey goo') colocada em perspectiva

Um artigo publicado em 09 de junho de 2004, na revista Nanotechnology, adverte que o medo de máquinas auto-replicantes incontroláveis, desvia a atenção de outros riscos mais graves da fabricação molecular.

O documento, "Safe Exponencial Manufacturing", publicado pelo Instituto de Física, foi escrito por Chris Phoenix , diretor de pesquisa do Centro de Nanotecnologia Responsável (CRN), e Dr. K. Eric Drexler , o teórico da nanotecnologia pioneiro e fundador do Foresight Institute. Drexler já havia advertido contra as máquinas de auto-replicação em seu livro de 1986, Engines of Creation , alertas que geraram todo o temor explorado nas telas e nos romances de ficção.

A ideia se tornou conhecida como "grey goo" (gosma cinza) e inspirou uma geração de autores de ficção científica.

Neste artigo, Phoenix e Drexler mostram que a fabricação baseada em nanotecnologia pode ser completamente segura contra a replicação fora de controle. No entanto, eles alertam que, por outras razões, o desvio de manufatura molecular ainda permanece como um perigo considerável.

O chamado "grey goo", só poderia ser produto de um processo de engenharia deliberado e difícil, e não um acidente", disse Phoenix. Muito mais grave é a possibilidade de que uma grande e conveniente escala e capacidade de produção possa ser usada para fazer armas não-replicantes incrivelmente poderosas, em quantidade sem precedentes. Isto poderia levar a uma corrida armamentista instável e a uma guerra devastadora.

"A política investigativa sobre os efeitos da nanotecnologia avançada deve considerar isso como uma preocupação primordial, e a replicação em fuga como uma questão mais distante."

Diferentemente da ideia inicial a autorreplicação não é necessária para a construção de um sistema de manufatura molecular eficiente e eficaz. Em vez de construir lotes complexos de minúsculos robôs para a fabricação de produtos, será mais prático utilizar simples braços do robô dentro de fábricas do tamanhos de computadores de mesa. Um braço robótico removido de uma tal fábrica seria tão inerte como uma lâmpada puxada da rede elétrica. A fábrica como um todo não seria mais móvel do que uma impressora de mesa e seria necessário um fornecimento de matérias-primas purificadas para construir qualquer coisa.

"Uma obsessão com imagens de ficção científica obsoletas de enxames de nanobugs replicando, tem desviado a atenção das questões reais levantadas pela revolução que virá com a nanotecnologia molecular", disse Drexler. "Temos de nos concentrar nas questões que importam e em como lidar com esses novos recursos poderosos em um mundo competitivo"

Mike Treder , Diretor Executivo da CRN, disse: "Esperamos que este artigo faça avançar a discussão sobre as implicações reais da fabricação molecular. Não há necessidade de pânico, mas existem preocupações urgentes que devem ser resolvidos antes que a tecnologia chegue."

A carta de Lampião

Em 1926 o cangaceiro Lampião enviou uma carta ao governador de Pernambuco, Júlio de Melo, sugerindo a divisão do estado em duas partes: uma ficaria com ele e a outra com o governo. Na época, o chefe de polícia Antônio Guimarães foi o responsável por levar a notícia da atitude audaciosa ao conhecimento do governador. Ainda em 1926, no dia 12 de dezembro, Júlio de Melo foi substituído no governo por Estácio Coimbra, a quem caberia tomar atitude com relação à carta de Lampião. O novo governador nomeou como chefe de polícia o jovem advogado Eurico de Sousa Leão.

Com Leão à frente da Repartição Central de Polícia, começou uma ação organizada do estado contra o cangaço. Em princípio, Leão substituiu os soldados do litoral (chamados de "pés-de-barro") por sertanejos com hábitos e resistência física semelhantes às dos cangaceiros, reorganizando o serviço policial volante. Ele levou para a polícia sertanejos da própria região, o vale do rio Pajeú, de onde os bandidos eram originários, ampliando uma política iniciada no governo anterior. A partir de então eram homens de maior resistência, acostumados a enfrentar a caatinga e suas dificuldades, que davam combate.

Os resultados dessa mudança de estratégia não demoraram a aparecer. Lampião logo teria no seu encalço homens como os nazarenos, naturais da cidade de Nazaré (hoje Carqueja - PE), que se tornariam seus piores inimigos. Além dessas medidas, Leão começou a prender e processar os coiteiros, pessoas que ajudavam a encobrir os integrantes do cangaço. A ação ajudou a quebrar a condescendência e até mesmo a cumplicidade dos poderosos chefes do interior com Lampião e seus seguidores. Por fim, promoveu convênios com os estados vizinhos para enfrentar os bandoleiros.

Leão teve como um dos principais agentes ao seu lado o militar Teófanes Ferraz Torres, com quem divide os méritos da introdução em Pernambuco da polícia científica e da moderna administração da defesa social. As medidas aplicadas provocaram a derrota de Lampião em menos de um ano e meio, conquistando também a opinião pública.

Na íntegra a Carta:

Senhor governador de Pernambuco, Suas saudações com os seus. Faço-lhe esta devido a uma proposta que desejo fazer ao senhor para evitar guerra no sertão e acabar de vez com as brigas. (...) Se o senhor estiver no acordo, devemos dividir os nossos territórios. Eu que sou capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do Sertão, fico governando esta zona de cá por inteiro, até as pontas dos trilhos em Rio Branco. E o senhor, do seu lado, governa do Rio Branco até a pancada do mar no Recife. Isso mesmo. Fica cada um no que é seu. Pois então é o que convém. Assim ficamos os dois em paz, nem o senhor manda seus macacos me emboscar, nem eu com os meninos atravessamos a extrema, cada um governando o que é seu sem haver questão. Faço esta por amor à Paz que eu tenho e para que não se diga que sou bandido, que não mereço. Aguardo a sua resposta e confio sempre.

Capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do Sertão

Fonte: livro Lampião, seu tempo, seu reinado - vol. III, de Frederico Bezerra Maciel, Editora Vozes.

Publicado Inicialmente em: Conversando Sobre História, por #AL

domingo, outubro 05, 2014

Leonor de Provença


Embora as mulheres só viessem a ser governantes na Inglaterra bem mais tarde, Leonor da Provença, se não governou oficialmente, teve forte influência nas decisões do Rei, Henrique III.

Ela exerceu forte influência sobre o marido, beneficiando parentes franceses e tentando controlar seu filho e herdeiro Eduardo I, levando à rebelião dos barões conduzida por Simão V de Montfort, VI conde de Leicester, durante a Segunda Guerra dos Barões que foi travada em entre 1264 e 1267.

O seu marido foi capturado na Batalha de Lewes, em 1264, juntamente com seu filho Eduardo e Leonor de Provença viu-se forçada a refugiar-se na corte de França junto de sua irmã a rainha Margarida de Provença.

Em 1265, Eduardo escapa se reorganiza com seus barões e lorde aliados e bate Montfort na Batalha de Eversham

Henrique III de Inglaterra, que continuava rei, mas era controlado por Montfort, recupera suas funções do trono em 1265 e Leonor volta a Inglaterra, sendo no entanto mantida à margem da política. A guerra continuará a ser travada com o filho de Montfort, Simon de Montfort.

Quando o seu marido morreu em 15 de Novembro de 1272, tentou, sem êxito recuperar o poder movendo a sua influência na corte. Não teve no entanto sucesso. O seu filho Eduardo I assume o poder e encarrega-a de educar vários dos seus netos enquanto ele e sua esposa, Leonor de Castela partem para as Cruzadas.

Alguns anos depois retira-se para a abadia de Amesbury, em Wiltshire, onde acabou por morrer em 24 de Junho de 1291 aos 68 anos de idade. Encontra-se sepultada nesta abadia.

Fonte: Marc Morris
Imagem: Supostamente Leonor da Provença - Você acredita? A vestimenta parece-me muito gata, fora dos padrões do século 12. Não quero dizer com isto nem melhor nem pior, apenas fora do padrão de beleza. Não consegui determinar a origem desta imagem. Acho que algum fã da Eleanor a produziu

Originalmente Publicado em Conversando Sobre História

sexta-feira, agosto 08, 2014

Refletindo: Conflitos Israel-Palestina



Quando se pensa sobre os conflitos no oriente médio a questão que deve ser logo colocada na mesa é a seguinte:

Não existem mocinhos e bandidos, os dois lados incorporam as duas qualificações em épocas e situações distintas ao longo da história. Ora um lado é o mocinho ora o outro e vice-versa.

Não pretendo fazer um resumo completo dos problemas do oriente médio pois isso começaria pela Antiguidade Babilônia e Mesopotâmica e se seguiria pelos Impérios Romano e Bizantino, pelo Império Otomano,pela Idade Média,pelo Iluminismo, pelos séculos 20 e 21, e cada passagem dessa merece um livro individual.


Podemos identificar as raízes deste conflito após a dispersão dos judeus durante o império romano para o Oriente Médio e Europa.

Quando a Palestina se tornou possessão bizantina, nos anos 300, os cristãos bizantinos eram, particularmente, hostis aos judeus.

As Cruzadas a Terra Santa foram desastrosas para os judeus residentes na Palestina, que se tornaram os alvos dessas cruzadas. Com o domínio otomano a situação melhorou um pouco pelo menos até a metade do século 19 , pois o declínio do poderio otomano impunha pesadas taxas a qualquer residente da Palestina, independente da religião.

Os acontecimentos na Europa logo criaram novas ondas de imigrações de judeus para a Palestina onde o antissemitismo era um tema recorrente desde as Cruzadas, pois os cruzados usavam a crucificação como mote para assassinar judeus sob o pretexto destes serem os "assassinos de Cristo". Apesar disto, a situação na Europa variava de país para país.


Então, nasce o Sionismo como reação ao antissemitismo, através de uma série de manifestações escritas. Ao final de 1870, havia cerca de 25.000 judeus na Palestina multiplicando a população judaica na área o que conduzia a conflitos com a população árabe. Inicia-se o pleito da população judaica pela instalação de um estado judeu na região. 
A partir deste momento este povo disperso acaba ganhando a simpatia mundial para estabelecer seu estado entre as nações do mundo, o que é completado em 1948, pela Assembleia das Nações Unidas. Com isso, a pequena faixa de terra localizada ao longo do Mediterrâneo, entre o Líbano e o Egito, tornou-se alvo de disputas entre judeus e palestinos.



As reações de países árabes como Síria, Egito, Iraque Jordânia e Líbano levaram às guerras de 1949 e 1967 (a chamada Guerra dos Seis Dias). Nestas guerras Israel aumentou deu domínio territorial na região, através de conquistas de territórios egípcios e sírios como a península do Sinai a Faixa de Gaza e as colinas de Golan.

Entre estas guerras tivemos a crise do Canal de Suez quando o Egito aproveitou o anúncio da retirada britânica de tropas na região e expeliu os oficiais britânicos da Zona do Canal, nacionalizando-o. Em uma rara oportunidade de cooperação das superpotências, os ingleses e franceses, que estavam preocupados com a possibilidade de Nasser, controlar o canal, foram obrigados pelos EUA e URSS a se retirar. Uma força internacional da ONU, composta de tropas de vários países, inclusive o Brasil,protegeu a zona do Canal.

A retaliação árabe veio anos mais tarde após a morte de Nasser e a ascensão de Anwar Sadat, que embora aparentemente mais moderado que seu antecessor, foi forçado a retrucar a humilhação de 1967 na tentativa de recuperar terras no Sinai. Foi a Guerra do Yon Kippur ou, como denominada pelos árabes, Guerra do Ramadan em 1973. As forças armadas judaicas desta vez não repetiram as atuações estelares de 1949 e 1967. A Síria recuperou parte das colinas de Golan e o Egito parte do Sinai. Depois doa crise dos mísseis de cuba em 1961, este foi o momento de maior tensão nuclear na guerra fria entre os EUA e a então União Soviética.

A partir então dos anos 70 a visão de bom moço de Israel de 1948, que tentava estabelecer para seu povo disperso um estado nacional, se alterou para alguns, que começaram a entendê-la como a de um agressor imperialista. Por outro lado, em 1972, durante as Olimpíadas de Berlim, o mundo começou a tomar conhecimento do terrorismo em suporte à causa Palestina e de lá para cá o nome de organizações como Hamas e Hezbolá começaram a fazer parte do noticiário da mídia internacional, produzindo a confusa e insolúvel situação que enxergamos nos dias de hoje. Os palestinos que tomaram os reféns pertenciam a um grupo chamado Setembro Negro. Na época, o líder da OLP (Organização Para Libertação da Palestina) Yasser Arafat, afirmou que não havia conexão entre a OLP e o grupo Setembro Negro. Em 1999 esta conexão foi confirmada em um livro escrito pelo líder do Setembro Negro, Abou Daoud.

Em Dezembro de 1988, o líder da OLP, Yasser Arafat, anunciou duas importantes mudanças em sua plataforma de organizações: O grupo renunciou formalmente o uso do terrorismo e concordou como direito da existência do estado de Israel. A ONU havia reconhecido a OLP como representante dos Palestinos em 1998, mas somente após estas declarações, os EUA concordaram em negociar com a representação da OLP.

Como escrevi no início, um resumo mais completo sobre toda esta questão seria muito mais do que estas poucas linhas e precisaria também incluir relatos sobre as influências que as participações dos britânicos, até pouco após a 2ª Guerra Mundial e dos americanos, principalmente após a 2ª Guerra Mundial e o comercio mundial de petróleo tiveram no desenvolvimento desses acontecimentos.

Originalmente Publicado em Conversando Sobre História.


terça-feira, junho 17, 2014

Homossexualidade Grega


Um dos temas mais controversos da antiguidade é a descrição do fenômeno de comportamentos e sentimentos homossexuais que são encontrados na literatura e na arte grega entre o oitavo e o segundo séculos AEC.

Para o propósito da argumentação nesta postagem, homossexualidade é definida como a disposição para buscar prazer sensorial através do contato corporal com pessoas do mesmo sexo, em vez da preferência pelo sexo oposto.

Pode muito bem existir outros propósitos para os quais esta definição seria superficial e inadequada; mas a cultura grega difere da nossa na disposição para reconhecimento da alternação entre orientações homossexual e heterossexual no mesmo indivíduo, em sua negativa implícita de que tal alternação ou coexistência cria problemas peculiares para o indivíduo ou para a sociedade, em sua compreensiva resposta para expressões abertas de desejo homossexual em palavras e comportamentos, e em seu gosto pelo tratamento desinibido de temas homossexuais na literatura e nas artes visuais.

Como e quando e porque a homossexualidade aberta e não reprimida tornou uma característica tão evidente é um tema sujeito a especulações. Debates violentos, escritos entusiasmados, o silêncio envergonhado, vôos de fantasia: poucos aspectos da sociedade na antiguidade são tão contestados como a pederastia grega, ou, como veremos a seguir, homossexualidade.

Desde que o britânico K.J. Dover publicou seu influente e clássico livro "Greek Homosexuality", mostrado na imagem, uma avalanche de novos estudos tem aparecido.

Muitos estudiosos preferem a abordagem histórica e estão convencidos de que a pederastia teve origem em ritos de iniciação do Dórios. Os dórios foram a última tribo a migrar para a Grécia, e eles são geralmente descritos como verdadeiros He-men, com uma cultura muito masculina. De acordo com os defensores desta teoria, a pederastia veio a se estabelecer ma ilha de Creta, onde os homens crescidos costumavam sequestrar adolescentes. Supõe-se que esta prática se espalhou a partir de Creta para o continente grego. Na cidade de Esparta, não era incomum que um guerreiro cuidasse de um recruta e ficasse ao seu lado no campo de batalha, onde os dois homens bravamente protegiam um ao outro.

Especialmente nos círculos aristocráticos, acredita-se que a pederastia era comum. Há, de fato, um grande número de fotos em vasos que mostram como um amante mais velho, o erastes, corteja um menino, os eromenos. Eles parecem não ser da mesma idade: o erastes tem uma barba e desempenha um papel ativo, enquanto que o adolescente não tem barba e permanece passivo. Ele nunca vai tomar uma iniciativa, parece tímido, e se acredita que não gostava da união sexual.

Seu amante mais velho chega ao orgasmo por contato anal ou intercrural ("Intercrural" significa que os erastes movia seu pênis entre as coxas do rapaz) Em um vaso, você nunca vai ver um menino com uma ereção, mesmo quando seus erastes toca seus genitais . Muitos estudiosos modernos assumem que, assim que o adolescente tinha uma barba, o caso de amor tinham de ser encerrado. Então, ele precisava encontrar uma eromenos para si

Também, ao contrário do que é alardeado, era certamente vergonhoso quando um homem com uma barba permanece como parceiro passivo (pathikos) e era ainda pior quando um homem se permitir ser penetrado por outro homem adulto. Os gregos ainda tinha uma expressão pejorativa para essas pessoas, a quem denominavam kinaidoi. Eles eram alvos de zombaria pelos demais cidadãos, especialmente escritores de comédia, como Aristófanes.

Portanto, deve-se ter cuidado ao atribuir-se práticas do século 21 relacionadas com o amor entre pessoas do mesmo sexo, com a mesma significância na antiguidade

Este é um tema extenso que jamais daria para ser abordado eu uma postagem. Consiste em tema de livros inteiros, portanto, para não emitirmos conceitos deturpados, é importante que se conheça trabalhos corajosos e pioneiros, como este apresentado nesta postagem, bem como os que se sucederam, para se entender verdadeiramente como funcionava a dita homossexualidade na antiguidade, aliás um termo específico da modernidade e que não se aplicaria às práticas dos antigos gregos.

Este é um tema que precisa ser tratado com a seriedade que estamos tratando aqui, para evitar as bobagens históricas que são ditas, tanto para exaltar como para ridicularizar. Eu convido a todos que se interessam pelo estudo da história e dos costumes, a se despirem de preconceitos e refletirem sobre esta pequena postagem e se possível, tentar obter este e outros livros de diversos autores sobre o tema. Outra alternativa é a busca de artigos na Internet. Existem alguns muito bons.

Originalmente Postado em: Conversando Sobre História

quinta-feira, maio 22, 2014

Viés Cultural ou Não?

Temos no Ocidente uma visão clara de que a mulher não é portadora do mesmos direitos civis que o homem na sociedade islâmica. Isto é comprovado por inúmeras organizações ao redor do mundo e mesmo no mundo islâmico, que lutam pela igualdade dos direitos da mulher.

No entanto, os maiores líderes islâmicos negam esta situação e afirmam, exatamente, o contrário; de que a mulher no Islã desfruta os mais elevados níveis de posição na sociedade.

Utilizando-me do mesmo expediente da última postagem, vamos postar alguns textos do líder supremo da revolução iraniana Imã Khomeini. São afirmações feitas em 1978/1979 quando ainda se encontrava exilado. Esta afirmações têm um elevado valor e conceito entre o povo islâmico, no mesmo nível dos textos sagrados.

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[Extraído de "Position Of Women From The Viewpoint of Iman Khomeini, Publicado pelo The Institute for Compilation and Publications of Iman Khomeini's Works (International Affair Division)" - Tradução do inglês por Mário Porto]

"O Islã cumpriu um papel para a mulher sem precedentes na História. O Islã tirou a mulher do lamaçal e a reconduziu à sua identidade. O Xiismo é uma escola revolucionária de pensamento e uma continuação do verdadeiro Islã do Profeta. Não só o xiismo não retira a mulher da sociedade como a propicia adquirir um status elevado. O Islã toma a mulher pela mão e a torna igual ao homem, enquanto antes do Profeta a mulher não tinha legitimidade. O Islã deu à mulher força.

Nós desejamos que a mulher alcance o mais alto nível na humanidade.

Infelizmente, a mulher foi vitimizada no passado, na era da ignorância, antes do advento do Islã. Durante este período, a mulher era tratada com opressão, tratada como animal e até mesmo pior do que os animais. Então, veio o Islã e outorgou sua benção na humanidade, retirou a mulher daquele estado de opressão e a resgatou daquela lama de ignorância.

As mulheres são seres humanos, grandes seres humanos. As mulheres são as educadoras da sociedade, É do colo da mulher que os verdadeiros seres humanos se originam. O sucesso ou o fracasso de um país depende da mulher. Sob o cuidados das mulheres os bravos homens são criados. As mulheres tem a função de criar e formar os verdadeiros seres humanos. As nações que inibem esta função da mulher declinam e colapsam.

A posição da mulher é a maior. As mulheres no Islã desfrutam este posto."

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A dificuldade é dialogar com uma cultura que afirma estes princípios, mas não parece, pelo menos aos nossos olhos, praticá-los.

Será tudo isto uma viés de interpretação ocidental?

Este tipo de questão é fundamental que seja compreendida, se algum dia imaginarmos que o conflito Leste-Oeste possa ser resolvido de uma forma definitiva.

O fato interessante é que estas afirmações do Imã Khomeini não são falsas. Antes do Islã era ainda pior. Meninas eram sacrificadas apenas por nascer meninas e mulheres eram consideradas como bens ou pior. O Islã, efetivamente melhorou o status da mulher na arábia medieval dando-lhe direitos que não possuíam.

O problema é cotejar esses direitos do ponto de vista do ocidente do século 21. A mulher nos países muçulmanos são sujeitas a restrições consideradas intoleráveis no ocidente.

O que existe após o Islã são condutas patriarcais tradicionais tribais, adotando práticas diferentes das que estão previstas no Corão.

Publicado inicialmente em: Conversando Sobre História

Série Alexandre e Seu Exército (Em Um Só Artigo)


Artigo único sobre a Série Alexandre e Seu Exército, que foi publicada em 15 postagens 
Publicado na Conversando Sobre História, em março.

Você tem toda a série em um só arquivo.