terça-feira, junho 14, 2016

Anacronismos tolos

Estava lendo hoje um conto de Lima Barreto intitulado Conhecem?, escrito em 1915 e que trata de uma sua crítica à regulamentação por intermédio de fichas, que passaram naquele ano a serem exigidas aos criados (termo da época) domésticos.

Nesse conto, Lima Barreto se refere à inutilidade e tolice dessa medida, alegando:

"Os criados sempre fizeram parte da família...A obrigação do dono ou dona de casa que procura um criado, que o põe debaixo do seu teto, é saber quem ele é; o reto não passa de opressão do governo sobre humildes, para servir à comodidade burguesa. Querem fazer das nossas vidas, dos indivíduos, das almas, uma gaveta de fichas. Cada um tem que ter a sua e, para obtê-la, pagar emolumentos, vencer a ronha burocrática, lidar com funcionários arrogantes e invisíveis, como em geral, são os da polícia."

Eu gostaria de abordar esse fato cotejando com os nossos dias quando os empregados domésticos, muito justamente, tiveram seus direitos equiparados aos demais trabalhadores com o consequente aumento de custos e burocracia para os empregadores.

Lima Barreto se expressa com a mentalidade de seu tempo e não pode, anacronicamente, ser acusado de reacionário assim como Monteiro Lobato não pode, de forma imbecilizada, ser classificado como racista.

terça-feira, maio 10, 2016

Ocupação Absurda e Antiética

A imagem é o retrato do descalabro que se instalou nesse país. Enquanto estiverem no poder as verbas serão drenadas para esse tipo de atitude inconsistente com a liturgia do cargo de Presidente e com os espaços públicos nacionais.

Jamais tiveram qualificação e preparo para ocupar o comando da nação. Felizmente estão de saída.

sexta-feira, abril 08, 2016

Literatura Fantástica Brasileira: Cópia de Lixo É Lixo

Existe na literatura brasileira contemporânea um segmento literário que congrega escritores deslumbrados, simplórios e que possivelmente existem em maior número do que seus próprios leitores. Trata-se do segmento literário de histórias fantásticas.

Infelizmente a maioria dos escritores desse segmento jamais leu qualquer coisa que não fosse Tolkien, Stephen King, Rowling, C.S. Lewis, complementados por filmes americanos do gênero. Normalmente escrevem mal, sem o menor cuidado com a linguagem, ambientam suas histórias copiando seus ídolos estrangeiros e desconhecem os preceitos básicos da dramaturgia.

Ora, foram inundados com essas histórias, desde tenra idade, por uma avalanche de marketing sob todas as formas de mídia. Por isso mesmo, temos que conferir-lhes o benefício da dúvida. Ou seja, são inocentes.

Todo autor deve ter a liberdade de escrever sobre aquilo que quiser e consequentemente também pagar o preço das suas escolhas. Mas a opção de imitar outras culturas em vez de procurar em suas próprias origens alternativas para sair da mesmice é uma escolha que não fará com que suas obras deixem de ser subsidiárias, sem nada acrescentar ao lugar comum internacional existente.

Não quero dizer que um autor brasileiro não possa ambientar sua história em outro país, ainda que me pareca esdrúxulo a escolha de nomes estrangeiros para os personagens, mas o fato é que esta escolha acontece porque jamais tiveram em suas mãos um Machado de Assis, José Lins do Rego ou até outros autores mais contemporâneos como Clarice Lispector. Jamais leram os clássicos, mesmo considerando que o cânone literário de uma nação é uma convenção histórico-literária geralmente arbitrária.

Em suma, o segmento literário fantástico no Brasil é uma cópia remendada do que se produz nos EUA e na Europa e em que pese uma ou outra exceção (não se pode julgar pelas exceções) que consegue um lugar ao sol, na sua maioria, se é que podemos denominá-los como tal, são escritores medíocres, com tramas igualmente bizarras e banais.

terça-feira, abril 05, 2016

Para Ler e Refletir Bastante


Daniel Seaward marchand de artes e estudioso de história preocupado com a situação política mundial, especificamente, com o avanço do Estado Islâmico, imagina um projeto no qual ele e um amigo de juventude, habilidoso na projeção astral, viajariam no tempo, não pelas leis da física, mas pela projeção fora do corpo, pretendendo sequestrar Maomé e com isso evitar o surgimento do islamismo no mundo.

Depois de dissuadido por consciências extrafísicas evoluídas, que lhe provam ser impossível interagir com o passado e demonstram, através de uma profunda e lógica análise histórica, que o Islã não é o problema visto que as mesmas tensões existiriam em um mundo sem o Islã, ele desiste da inatingível viagem no tempo e rearranja o seu projeto para revelar ao mundo, ajudado por seus amigos extrafísicos, este ambiente complexo da conscienciologia que independe de qualquer crença religiosa, visando provocar a diminuição do fanatismo religioso. Mas isto ocorre depois de sofrer graves riscos devido a uma tentativa de ataque perpetrada por um radical islâmico militante do ISIS enviado ao Rio de Janeiro para eliminá-lo a partir de uma instrução transmitida ao grupo islâmico por uma consciência extrafísica sabedora apenas de seu intuito inicial de sequestrar o profeta.

A trama mistura História, amizade, suspense e crise internacional, envolvendo o Brasil, os EUA e os radicais do Estado Islâmico, quando um jhadista islâmico é preso no Rio de Janeiro sem que as autoridades policiais brasileiras possam atinar o porquê da escolha de seu alvo.

Daniel então engendra um complexo esquema de troca de prisioneiros que inclui jornalistas americanos presos pelo grupo Estado Islâmico em troca do prisioneiro islâmico no Brasil em contrapartida exige uma seção midiática de esclarecimentos ao mundo sobre o ocorrido e cujo objetivo é combater toda sorte de fanatismo religioso. Os resultados são surpreendentes.



Onde Comprar

Eu ia dizer que sou um escritor independente, mas prefiro informar que no poente da vida, depois de escrever centenas de crônicas e ensaios sobre política, ciência, religião e problemas brasileiros, resolvi escrever um romance colocando nele toda essa experiência adquirida. Opção Continuum - O Sequestro do Profeta é minha primeira incursão literária, criada a partir de sua longa experiência de mais de 50 anos no estudo da História. Apesar de iniciar sua carreira na literatura em uma idade já avançada, declara ter adorado e prometo não parar enquanto a saúde o permitir tendo já iniciado o segundo.

Então, sendo um escritor independente e desconhecido não me empenhei muito em tentar a via crucis de procurar uma editora convencional e suas ditaduras dos autores célebres e best-sellers. Parti logo para a autopublicação. Uma moderna facilidade, que permite aos escritores novos divulgar seu trabalho sem custo.

Assim você encontra meu livro em duas versões:



Versão Impressa:
produzida a cada pedido, impressão on-demand.




Versão digital: bem baratinha para quem já está familiarizado com o formato





Mário Sérgio Porto é Engenheiro Naval de Máquinas e Estruturas, formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Pós-Graduado em Administração pelo IAG-PUC e Oficial da Marinha (Reserva) tendo se formado na Escola Naval em 1967.

Após 8 anos no Setor Naval trabalhou 17 anos no Setor Nuclear a maior parte nos empreendimentos de Angra I e II. Especialista em negociação criou e dirige o site Negociart.org sendo Professor-Tutor de Negociação no FGV Online da Fundação Getúlio Vargas, desde 2006. Integrante do Senior Executive Negotiation Program, Program on Negotiation, Harvard Law Scholl, EUA, em 2011.

Embora de formação técnica nunca abandonou suas convicções humanistas reforçadas com as leituras de grandes escritores e filósofos. Escreveu e publicou em seus sites na Internet mais de 500 artigos ou crônicas enfocando história, religião, politica, ciência e problemas brasileiros. Opção Continuum - O Sequestro do Profeta é sua primeira incursão literária, criada a partir de sua longa experiência de mais de 50 anos no estudo da História.

domingo, março 20, 2016

Ética e Cultura: O Caso Lula

Considero difícil de entender como o ex-presidente Lula ainda tem uma expressivo apoio depois de ter seu caráter demonstrado em conversas privadas além de tudo que a operação Lava-Jato vem desvendando.

Não me refiro especificamente às pessoas que compareceram a manifestações pró-governo, porque essas estão sendo conduzidas muitas vezes coercitivamente pelas entidades que apoiam o ex-presidente e pelas benesses de pão e mortadela, com ajuda de custo. Não são espontâneas e muitos nem sabiam por que ou sobre o quê estavam protestando.

O que me intriga são pessoas, aparentemente, de maior nível cultural, que se manifestam no Twitter e no Facebook, demonstrando um radicalismo cego.

Já tive oportunidade de escrever em outra ocasião, que a ética pressupõe uma certa cultura. Não é possível uma pessoa exercer a ética em sua plenitude se esta não tiver recebido certos ensinamentos básicos de cidadania. Isso não é elitismo, é fato. O Ex-presidente Lula não tem ética porque é inculto, nunca lhe ensinaram princípios éticos.

As nações do primeiro mundo possuem uma população mais ética em virtude dos longos anos de ensinamento de cidadania pelos quais passaram. Há tempos atrás, suas atitudes eram semelhantes às do nosso povo inculto e sem cidadania.

Ética se aprende na família, no convívio da Sociedade e na escola. E o exemplo é o maior formador de cidadãos éticos.

Quando Lula se refere à ingratidão do procurador da República, está demonstrando simplesmente sua ignorância sobre os valores republicanos e achando que a nomeação foi um favor pelo qual se deve retribuições.

A democracia é sem sombra de dúvidas a melhor forma de governo, mas como tudo tem suas falhas, uma delas é permitir que um apedeuta ignorante ascenda ao maior cargo da nação.

Sócrates, por isso mesmo, se referia ao governo dos que sabem. O filosofo, acreditava que somente aqueles que possuíssem o saber político, ou seja, aqueles que de fato soubessem o que era a Política, a Justiça, a Ética estariam aptos a governar.

Embora esse argumento Platônico-Socrático possa ser idealizador do totalitarismo, é inegável que esse é um problema da democracia e precisamos dos seus instrumentos endógenos, para remover do poder aqueles que, em que pese terem sido eleitos democraticamente, demonstram inadequação para o seu exercício.

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Ingenuidade Perigosa


Incomoda-me muito a ingenuidade, para não classificar de ignorância, de certas pessoas que acham bonitinho e demonstrativo de cultura o ato de fazer críticas ao passado do cristianismo, em especial as ações da Igreja Católica na Idade Média.

Com o avento da expansão islâmica moderna esses "doutores" não conseguem enxergar o tamanho do perigo que se avizinha, mesmo com as claras amostras do que ocorre na Europa dominada pela ditadura do politicamente correto.

Em nome do secularismo, estas pessoas são capazes de preferir o islamismo, a sharia e todo o bônus que vem acompanhado, no afã de justificar suas diferenças sobre o uma época que identificam como a era das trevas. O curioso é que a citada idade das trevas, uma denominação estabelecida pelos desonestos representantes do iluminismo, foi um período de crescimento nas ciências e nas artes na civilização ocidental onde por trás de muitas destas descobertas científicas e manifestações artísticas estava o dedo da Igreja, mais precisamente de seus membros. Igreja essa da qual não isento seus crimes inquisitórias, mas que também não pode ser julgada apenas por seu erro histórico no caso do processo contra Galileu.

Infelizmente, aconteceu a má condução pela Igreja do episódio de Galileu, que para piorar foi mal transmitido através da história. O que houve foi que a Igreja pediu para Galileu se abster de ensinar a sua teoria como se fosse verdade, posto não poder prová-la (sim, ele não podia prová-la), permitindo-lhe, contudo, ensiná-la como uma hipótese. Tratava-se de assunto muito delicado porque envolvia, de certa forma, a Fé, que na Idade Média era constituinte não desprezível da vida pública. O que Galileu faz? Desobedece e passa a clamar aos quatro cantos do mundo que a Igreja estava errada sem, contudo, poder prová-lo. Diga-se, aliás, que bons cientistas da época discordavam da tese de Galileu.

Por causa de coisas como essa, mal explicadas, alguns ingênua e perigosamente parecem ignorar o perigo islâmico e colocam toda a civilização ocidental sob risco de extinção desprezando a única arma que talvez nos livre da expansão islâmica, ou seja, o conceito do homem ter sido criado à imagem e semelhança de deus. Esta afirmação tem hoje em dia uma importância capital para a civilização ocidental, pois ela é o conceito que pode se tornar na espada mortal contra a ameaça do islamismo. É importante e fundamental se perceber que afirmar que somos a imagem e semelhança de Deus não necessariamente encerra uma noção de antropoformismo e sim que fomos criados como Deus em suas habilidades de razão e amor. Incutir essa ideia na novas gerações da civilização cristã formará guerreiros contra o Islã que nega peremptoriamente esse conceito, ao afirmar que fomos criados do pó da terra (sura 23.12) e Alá soprou nele o fôlego da vida (sura 32.9; 15.29). Para o Islã, o conceito de imagem e semelhança é uma blasfêmia e exatamente com ele podemos salvar a civilização ocidental.

Só um esclarecimento final, não me julgue por isso como religioso, pois não sou, mas entendo a importância, o valor e o legado da cultura judaico-cristã como sendo o único meio pelo qual encontraremos a saída para esta ameaça real e não vislumbrada por muitos..

Instituições Desmoronando


Quando alguém diz que neste país as instituições estão funcionando eu o encaro como otimista, pois a impressão que tenho é que elas não só não funcionam como sequer existem em sua plenitude.

A recente impedimento do depoimento de Lula nascido a partir de uma interposição de um recurso por alguém não habilitado para fazê-lo e emcaminhado a um órgão igualmente não adequado para recebê-lo é um exemplo de como nossas instituições são frágeis e desconhecem seus papeis.

A conclusão natural que se chega é que o Deputado petista, que foi instruído para tentar embargar o depoimento na justiça, procurou um caminho favorável, certamente através de maquinações anteriores e criou um imbróglio que as pretensas instituições vão ter que resolver. Até lá, Lula se esquiva jogando a questão para instâncias colegiadas aparelhadas pelo PT.

Se tivéssemos instituições sólidas, conscientes de seus papeis isto não seria possível.

sábado, dezembro 19, 2015

O Golpe do STF: Infelizmente parece vero!

Logo após a seção do STF vi algumas manifestações contra a decisão do STF como muito simplistas e conspiratórias. Muita gente falando sem ter acompanhado e sem conhecer os procedimentos. Eu tive a paciência de assistir INTEGRALMENTE, do início ao fim as duas sessões do STF que definitivamente mancharam a imagem da corte, mas não vejo o panorama com tanta simplicidade, embora está claro que o impedimento ficou mais difícil e preciso dizer que não sou advogado, apenas um engenheiro cercado de advogados por todos os lados da família.

O voto do Tóffoli realmente me surpreendeu, o do Fachin nem tanto, pois independente de sua adesão á campanha de Dilma ele é um jurista renomado. Seu voto foi complexo, bastante técnico e ensejou as discussões que ajudadas pela dissidência do ministro Barroso acabaram por produzir duas seções bastante ricas juridicamente.

Sobre Toffóli, o que acho é que ele se cansou um pouco das críticas e uma aproximação evidente com o Gilmar Mendes na 2ª Turma está mudando um pouco sua atuação e fazendo-o se afastar um pouco de sua propalada adesão ao PT e ele vem até oferecendo votos bons para a pouca bagagem que tem em relação aos demais ministros. Tóffoli, na verdade, nunca deveria ter chegado ao Supremo. Os ministros depois de empossados não precisam manter qualquer subserviência ao partido que os indicou, pois não precisam nada deles e tem um longo caminho vitalício pela frente e aquilo que permanece é por causa de suas próprias ideologias ou amizades pessoais, mas jamais escancariam votos de apoio à Dilma sem comprometer suas biografias. Os casos de Tóffoli e Lewandowsky são mais complicados porque mantém relação de amizade muito próximas, respectivamente com Lula e Dilma e poderiam entrar nas exceções.

Em um primeiro momento considerei estas teorias de conspiração que pretendem envolver todo o STF na trama como puras fantasias. Por exemplo, se quisessem sepultar definitivamente o impeachment seria só votarem pela obrigatoriedade 2/3 na admissibilidade pelo Senado em vez da previsa maioria simples, um proposta que foi trazida pelo Marco Aurélio ao final, sob alegação que seria uma aberração a possibilidade desta admissibilidade do processo (subsequente afastamento da Presidente) poder ser obtida com apenas 21 votos no Senado, enquanto na Câmara seria maioria qualificada. Não passou e quem liderou a tese da manutenção da maioria simples foi justamente o Barroso conduzindo a maioria a acompanhá-lo suportado por um argumento irrefutável do Teori de que a maioria simples qualificaria o voto da câmara. Se O Senado precisasse de 2/3 para prosseguir com o processo e então afastar Dilma este impeachment não passaria. Como se vê, não é tão simples como as teorias apregoam.

No entanto, passada 48 horas e estudadas várias intervenções e comentários de pessoas abalizadas, a hipótese de algum tipo de conspiração parece evidente, embora continue achando muito difícil uma cooptação do STF no nível de que estão alegando; um verdadeiro teatro cada um com seu papel previamente combinado na trama, excetuando o Gilmar Mendes. Nem os ministros são tão articulados nem o Gilmar tão idiota. Não me parece plausível, mas se isso ocorreu está decretado o FIM DO BRASIL. Não existe democracia com uma Justiça desacreditada. O que houve está mais para compadrio quando tornaram a votação aberta e proibiram a chapa avulsa. Neste ponto eles interferiram em outro poder e legislaram, mudando o rito de 1992. Agora, até o Color poderá alegar golpismo em 1992. Piorou a situação quando o Gilmar Mendes afirmou que houve cooptação e bolivarização da corte.